Intifada
 
02/09/2005
Gaza no interior de muros

Não é vergonhoso que as populações de Gaza, e com eles todo o Povo da Palestina,se regojizem da partida da ocupação, da sua retirada imposta e tática das colonias construídas sobre as terras da Faixa, estas que são as mais férteis. Após longo tempo, o ocupante queria sair, e falou a respeito muitas vezes.

A ação da Resistência Palestina teve um efeito direto na aceleração da retirada.. sem a eficácia Resistência Palestina, não teria tido retirada e Sharon não teria declarado : “a retirada é um passo doloroso para mim, pessoalmente … o exército se deslocará nas linhas de defesa, atrás do muro de segurança”. Sharon chegou a dizer também “nós efetuamos este passo (retirada) a partir de uma posição de força, não de fraqueza, e porque a estrada da paz entre dois povos destruirá o muro da raiva e do extremismo”.

As palavras de Sharon são claras e exprimem a intenção da parte israelense que é, após o cerco de Gaza dentro de muros e seu isolamento do mundo exterior, se orientar em direção das questões que interessam a sociedade, e que são as questões economicas e interiores, pois as outras questões mais importantes, que tocam o fundamento do conflito com os Palestinos, Al-Quds, West Bank (Cisjordânia) e suas colonias, o Direito de retorno dos Refugiados. Quanto a operação de desengajamento ou deslocamento, ela ficou com o nome que Sharon pessoalmente lhe deu.

Nós já haviamos escrito a este respeito e dito que o deslocamento pode ser considerado como uma nova ocupação da Faixa de Gaza, que se concretiza pela retirada do interior e da dominação a partir do exterior, o que quer dizer aprisionar as pessoas no interiro dos muros de Gaza, do qual ninguém fala.

Certamente não é vergonhoso que estes que viveram sob o terror sionista durante 38 anos se regojizem da retirada de monstros da ocupação, da sua vida cotidiana, de seu afastamento relativo de suas casas, de suas propriedades, das varandas de seus apartamentos, de seus quartos de dormir, de suas cozinhas, de suas mesas postas, de suas escolas, do espaço de lazer de suas crianças. Isto não é vergonhoso, porque o sonho começou a se realizar em certos aspectos, mas sem que ele seja exatamente o que eles queriam ou imaginavam.

Mas ele se tornou no terrreno. As colonias vão desaparecer, as hordas de sionistas selvagens vão partir, as barragens do exército que cortava a Faixa em três se vão sem esperança de retornar e vão desaparacer. Tudo isso nos leva a nos rejigozar com a população de Gaza, mas não se pode entretanto esquecer o objetivo principal, o que será a vida após o cerco e no interior dos muros, não pode nossa razão se deixar levar pela alegria de nossos corações.
Nós não pensamos que a alegria dos Palestinos em geral, e da população de Gaza em particular, vá lhes fazer esquecer
que eles continuam sob ocupação, que a construção do muro se terminou em Rafah e que está terminando na fronteira com o Egito. Com seu término, a Faixa de Gaza, que está celebrando a vitória e a liberdade, será como uma grande prisão entre muros. A parte Palestina não terá nenhuma autoridade sobre os pontos de passagem, nem sobre o ar, nem sobre o mar. O que não significa que não haverá autoridade no interior desta grande prisão, as fronteiras terrestres, marítimas e aéreas estarão sob dominação da ocupação.

O que significa pela sua retirada, os sionistas apenas aliviaram a carga de seu exército que deve assegurar a segurança de suas hordas terroristas colonizadoras, importada de várias partes do mundo. O que significa que a parte Palestina, oficial e as organizações, não devem exagerar na suas celebrações e festividades que acabaram por fazer o mundo acreditar que Sharon, seu exército bárbaro, seu poder racista e sua ocupação odiosa realmente entregaram as Terras Palestinas ocupadas, que eles realizaram a aspiração internacional da retirada israelense das Terras Palestinas ocupadas, que a Faixa de Gaza está totalmente liberada, e que não há mais ocupação. Porque a Faixa de Gaza está liberada unicamente no seu interior, mas ela continua ocupada e cercada no exterior, ela ficará à disposição de um soldado sionista na Passagem de Erez ou um soldado sionista na passagem de Rafah.

O dever de todo Palestino é, a partir deste instante, começar uma contra ofensiva na mídia mostrando que a ocupação continua o tempo todo aqui, que não há soberania Palestina sobre a Faixa de Gaza e denunciar o projeto de isolamento e de partilha dsa terras Palestinas, criando ilhas separadas umas das outras.

A Faixa de Gaza se libertou no seu interior, mas ela continua ainda ocupada e cercada no exterior. No terreno, nós percebemos que a questão será ainda mais difícil, mais complexa, podendo conduzir à uma situação na Faixa de Gaza à problemas internos, entre a Autoridade Palestina e a Resistência, entre tribos, famílias e aparelhos securitários, uma vez que o papel dos parentes e tribos em Gaza é mais importante do que o das instituições, da Autoridade Palestina e das organizações. Ao mesmo tempo, a população de Gaza não necessita de problemas internos e secundários, e de cálculos estreitos de um e de outro. Porque a ocupação não acabou, o cerco não foi levantado, as prisões e os assassinatos não tiveram fim, nem a política de sofrimento até a morte, mas ao contrário, o racismo, a barbárie, a selvageria do ocupante se acentuaram, como mostra o que ocorreu recentemente, quando soldados executaram um Palestino numa barreira, colocando-o num buraco, perto da barreira militar do exército de ocupação. O jovem estudante da Universidade de Al Najah foi preso na barreira, e colocado num buraco por duas horas, sob um sol escaldante. O que provocou sua morte.

Os Palestinos devem se regojizar com o fim de um dos capitulos do sonho sionista, esmagado sob os pés das crianças de Gaza e as longas filas de mártires
da Faixa de Gaza e de toda Palestina. Foi o sonho dos pais fundadores da entidade sionista na Palestina, o sonho de gente como Sharon, dirigente racista da entidade estrangeira “Israel”, o sonho do “Grande Israel.”

Sharon e seus semelhantes estão agora convencidos que não é mais possível realizar este sonho do “Estado de Israel”, do Nilo ao Eufrates. É por isso que nós os vemos agora partir da Faixa de Gaza e evacuar suas colonias, sem definir nem desenhar as fronteiras, sem deixar uma estrada ou uma passagem ligando a Faixa de Gaza à West Bank (Cisjordânia). Eles deixam Gaza após 38 anos de ocupação, porque eles enfrentaram uma Resistência, a Resistência de Guevara de Gaza, de Rantisse, de Nidal Farhat, de Ayache, de Abul Rish, de Abu Al ba, de Imam al-Homs, de Rim Riyashi, de todos mártires da Revolução Palestina em marcha. Eles deixam as Terras Palestinas Ocupadas, na Cisjordânia (West Bank) e Faixa de Gaza sem ligação geográfica, separadas e partilhadas, eles a deixam assim primeiro por causa da Resistência, por causa dos custos exorbitantes de sua presença aí.

A retirada do interior da Faixa de Gaza vai aliviar enormemente o peso carregado pelo ocupante, é por isso que ele vai se dirigir com força e energia para resolver outras questões, como West Bank (Cisjordânia) e suas colonias, Al-Quds (Jerusalém), os Refugiados e o Direito de Retorno, a situação “israelense” interna, e notadamente a econômica.

www.aloufok.net

 www.safsaf.org

tradução : Elaine Guevara

 

 
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Juízes palestinos são investigados por corrupção, diz jornal

http://www.estadao.com.br/internacional/noticias/2005/mai/01/25.htm

 

Jerusalém - Cinco juízes do Sistema Judicial da Autoridade Nacional Palestina (ANP) estão sendo investigados por corrupção financeira e abuso de poder, informa hoje, domingo, o jornal The Jerusalem Post. "A decisão de investigá-los faz parte dos esforços para extirpar o fenômeno da corrupção do Sistema Judicial palestino", disse um funcionário da ANP à publicação.

A investigação coincide com uma reforma no aparelho de segurança da ANP, que não está mais subordinado ao presidente, e de um decreto do ministro do Interior, Nasser Youssef, que entrou em vigor hoje em Gaza e que permite à polícia apreender as armas ilegais em poder da população. Este decreto tem com objetivo desarmar grupos de delinqüentes comuns e não afeta os milicianos da resistência contra a ocupação israelense em Gaza e na Cisjordânia.

O jornal israelense não cita os juízes que são investigados e que podem chegar ser julgados caso se confirmem as suspeitas de corrupção. "Todos somos cúmplices do assassinato do Sistema Judicial", declarou o diretor de um centro palestino de assuntos jurídicos, Ibrahim Barghouthi.

"Como muitas das instituições da ANP, o Sistema Judicial foi objeto de crimes de corrupção financeira e administrativa, assim como de nepotismo e de outras transgressões", segundo o analista palestino Ibrahim Hamimi, um crítico do governo de Abbas.

 

Condição garantida

Os detratores do falecido presidente Yasser Arafat atribuíram ao histórico líder e a seus principais assessores no poder a anarquia e a corrupção que tomaram conta do sistema desde que ele foi criado em 1994, ano em que a ANP foi estabelecida após os acordos de Oslo com Israel. "Os tribunais palestinos se transformaram em domínios privados a mercê de juízes e seus parentes", segundo Hatem Abu Khalil, presidente do Sindicato dos Advogados Palestinos.

O analista político Nidal Hamad, diz a publicação israelense, afirma que a suspensão e a investigação dos cinco juízes em questão "é parte de uma campanha destinada a afastar funcionários que foram leais a Arafat e que ainda continuam nos órgãos de poder" agora controlados por Abbas, que protagonizou duros enfrentamentos políticos com seu antecessor.

Isto explicaria, por exemplo, porque Abbas, que esta semana reformou o aparelho da segurança palestina e designou novos chefes em seus organismos, nomeou dois homens próximos a Arafat, seu porta-voz Nabil Abu Rideine e o ex-ministro do Interior Hani al-Hassan, embaixadores no Reino Unido e na Jordânia, respectivamente.


 

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