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Não é vergonhoso que as
populações de Gaza, e com eles todo o Povo da Palestina,se
regojizem da partida da ocupação, da sua retirada imposta e tática
das colonias construídas sobre as terras da Faixa, estas que são
as mais férteis. Após longo tempo, o ocupante queria sair, e falou
a respeito muitas vezes.
A ação da Resistência Palestina teve um efeito direto na
aceleração da retirada.. sem a eficácia Resistência Palestina, não
teria tido retirada e Sharon não teria declarado : “a retirada é
um passo doloroso para mim, pessoalmente … o exército se deslocará
nas linhas de defesa, atrás do muro de segurança”. Sharon chegou a
dizer também “nós efetuamos este passo (retirada) a partir de uma
posição de força, não de fraqueza, e porque a estrada da paz entre
dois povos destruirá o muro da raiva e do extremismo”.
As palavras de Sharon são claras e exprimem a intenção da parte
israelense que é, após o cerco de Gaza dentro de muros e seu
isolamento do mundo exterior, se orientar em direção das questões
que interessam a sociedade, e que são as questões economicas e
interiores, pois as outras questões mais importantes, que tocam o
fundamento do conflito com os Palestinos, Al-Quds, West Bank
(Cisjordânia) e suas colonias, o Direito de retorno dos
Refugiados. Quanto a operação de desengajamento ou deslocamento,
ela ficou com o nome que Sharon pessoalmente lhe deu.
Nós já haviamos escrito a este respeito e dito que o deslocamento
pode ser considerado como uma nova ocupação da Faixa de Gaza, que
se concretiza pela retirada do interior e da dominação a partir do
exterior, o que quer dizer aprisionar as pessoas no interiro dos
muros de Gaza, do qual ninguém fala.
Certamente não é vergonhoso que estes que viveram sob o terror
sionista durante 38 anos se regojizem da retirada de monstros da
ocupação, da sua vida cotidiana, de seu afastamento relativo de
suas casas, de suas propriedades, das varandas de seus
apartamentos, de seus quartos de dormir, de suas cozinhas, de suas
mesas postas, de suas escolas, do espaço de lazer de suas
crianças. Isto não é vergonhoso, porque o sonho começou a se
realizar em certos aspectos, mas sem que ele seja exatamente o que
eles queriam ou imaginavam.
Mas ele se tornou no terrreno. As colonias vão desaparecer, as
hordas de sionistas selvagens vão partir, as barragens do exército
que cortava a Faixa em três se vão sem esperança de retornar e vão
desaparacer. Tudo isso nos leva a nos rejigozar com a população de
Gaza, mas não se pode entretanto esquecer o objetivo principal, o
que será a vida após o cerco e no interior dos muros, não pode
nossa razão se deixar levar pela alegria de nossos corações.
Nós não pensamos que a alegria dos Palestinos em geral, e da
população de Gaza em particular, vá lhes fazer esquecer
que eles continuam sob ocupação, que a construção do muro se
terminou em Rafah e que está terminando na fronteira com o Egito.
Com seu término, a Faixa de Gaza, que está celebrando a vitória e
a liberdade, será como uma grande prisão entre muros. A parte
Palestina não terá nenhuma autoridade sobre os pontos de passagem,
nem sobre o ar, nem sobre o mar. O que não significa que não
haverá autoridade no interior desta grande prisão, as fronteiras
terrestres, marítimas e aéreas estarão sob dominação da ocupação.
O que significa pela sua retirada, os sionistas apenas aliviaram a
carga de seu exército que deve assegurar a segurança de suas
hordas terroristas colonizadoras, importada de várias partes do
mundo. O que significa que a parte Palestina, oficial e as
organizações, não devem exagerar na suas celebrações e
festividades que acabaram por fazer o mundo acreditar que Sharon,
seu exército bárbaro, seu poder racista e sua ocupação odiosa
realmente entregaram as Terras Palestinas ocupadas, que eles
realizaram a aspiração internacional da retirada israelense das
Terras Palestinas ocupadas, que a Faixa de Gaza está totalmente
liberada, e que não há mais ocupação. Porque a Faixa de Gaza está
liberada unicamente no seu interior, mas ela continua ocupada e
cercada no exterior, ela ficará à disposição de um soldado
sionista na Passagem de Erez ou um soldado sionista na passagem de
Rafah.
O dever de todo Palestino é, a partir deste instante, começar uma
contra ofensiva na mídia mostrando que a ocupação continua o tempo
todo aqui, que não há soberania Palestina sobre a Faixa de Gaza e
denunciar o projeto de isolamento e de partilha dsa terras
Palestinas, criando ilhas separadas umas das outras.
A Faixa de Gaza se libertou no seu interior, mas ela continua
ainda ocupada e cercada no exterior. No terreno, nós percebemos
que a questão será ainda mais difícil, mais complexa, podendo
conduzir à uma situação na Faixa de Gaza à problemas internos,
entre a Autoridade Palestina e a Resistência, entre tribos,
famílias e aparelhos securitários, uma vez que o papel dos
parentes e tribos em Gaza é mais importante do que o das
instituições, da Autoridade Palestina e das organizações. Ao mesmo
tempo, a população de Gaza não necessita de problemas internos e
secundários, e de cálculos estreitos de um e de outro. Porque a
ocupação não acabou, o cerco não foi levantado, as prisões e os
assassinatos não tiveram fim, nem a política de sofrimento até a
morte, mas ao contrário, o racismo, a barbárie, a selvageria do
ocupante se acentuaram, como mostra o que ocorreu recentemente,
quando soldados executaram um Palestino numa barreira, colocando-o
num buraco, perto da barreira militar do exército de ocupação. O
jovem estudante da Universidade de Al Najah foi preso na barreira,
e colocado num buraco por duas horas, sob um sol escaldante. O que
provocou sua morte.
Os Palestinos devem se regojizar com o fim de um dos capitulos do
sonho sionista, esmagado sob os pés das crianças de Gaza e as
longas filas de mártires
da Faixa de Gaza e de toda Palestina. Foi o sonho dos pais
fundadores da entidade sionista na Palestina, o sonho de gente
como Sharon, dirigente racista da entidade estrangeira “Israel”, o
sonho do “Grande Israel.”
Sharon e seus semelhantes estão agora convencidos que não é mais
possível realizar este sonho do “Estado de Israel”, do Nilo ao
Eufrates. É por isso que nós os vemos agora partir da Faixa de
Gaza e evacuar suas colonias, sem definir nem desenhar as
fronteiras, sem deixar uma estrada ou uma passagem ligando a Faixa
de Gaza à West Bank (Cisjordânia). Eles deixam Gaza após 38 anos
de ocupação, porque eles enfrentaram uma Resistência, a
Resistência de Guevara de Gaza, de Rantisse, de Nidal Farhat, de
Ayache, de Abul Rish, de Abu Al ba, de Imam al-Homs, de Rim
Riyashi, de todos mártires da Revolução Palestina em marcha. Eles
deixam as Terras Palestinas Ocupadas, na Cisjordânia (West Bank) e
Faixa de Gaza sem ligação geográfica, separadas e partilhadas,
eles a deixam assim primeiro por causa da Resistência, por causa
dos custos exorbitantes de sua presença aí.
A retirada do interior da Faixa de Gaza vai aliviar enormemente o
peso carregado pelo ocupante, é por isso que ele vai se dirigir
com força e energia para resolver outras questões, como West Bank
(Cisjordânia) e suas colonias, Al-Quds (Jerusalém), os Refugiados
e o Direito de Retorno, a situação “israelense” interna, e
notadamente a econômica.
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www.safsaf.org
tradução : Elaine Guevara
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